Encontros "BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA"

Encontros "BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA"
*** Economia da cultura no Distrito Federal ***
Ciclo de debates e Saraus para aproximar pessoas que se beneficiam com o desenvolvimento cultural de centros urbanos e cidades - produtores culturais, gestores, artistas, realizadores de eventos, turismólogos, urbanistas, empreendedores, investidores em projetos e intelectuais que pesquisam cidades criativas.
Mediação: João Reis - produtor cultural, pesquisador, músico e mestre em Psicologia.

domingo, 14 de novembro de 2010

33o. CURSO INTERNACIONAL DE VERÃO - Escola de Música de Brasília

Há vagas para futuros músicos: vagas para matrículas que serão sorteadas. As filas que ocupam o espaço sonoro da Escola de Música de Brasília entoam expectativas ao ritmo da sorte. Entre o espaço da fila e o sorteio de vagas, a melodia está no formato de trio para dúvida+mudez+esperança: canta-se a certeza de cursos temporários, contrapõe-se a vagas nos cursos oferecidos aos sábados e cruza-se o desejo do Curso de Verão. Vibra-se a sinfonia da expectativa, nesse período em que se muda o governo local e também o que se entende sobre cultura estruturada na arquitetura vítrea do orçamento anual.
Poucas vagas, mínimas, semínimas, pausas... Até o solo do silêncio para muitos que ficarão de fora do curso técnico.
A certeza vem com as férias: o curso internacional de verão é um patrimônio cultural de Brasília. Histórico, grandioso e uma oportunidade ímpar de orquestrar o talento do brasiliense-candango para ocupar os espaços e a mente com sons.

A AGENDA PARA FUTURAS EDIÇÕES DEVE SER EXIGIDA PELA COMUNIDADE COM ANTECEDÊNCIA. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mercado de pinturas

O mercado de artes plásticas em Brasília tem aumentando, na medida em que a cidade cresce. A importância da arte como investimento foi estudada pela economista Diva Pinho, que afirma que a pintura pode ser tida como uma reserva de valor, um bem com retornos estéticos e ganhos financeiros. Considera-a como sendo um investimento complementar a outros.

A avaliação financeira descrita por outro autor citado na obra da economista pesquisadora da USP, Rush, considera os seguintes itens:
1. quem pintou a obra - se é típica e se foi pintada no período de maior demanda da carreira do artista;
2. qualidade em comparação com outras pinturas do artista;
3. tema e dimensões da pintura;
4. histórico do artista;
5. quem vende a pintura;
6. onde e quando é oferecida à venda;
7. quem se apresenta para comprar;
João Reis III - Obra da exposição "Luthier" realizada em 2007. Coleção particular.


Diva Pinho conclui seu estudo sobre o investimento em pinturas com a seguinte frase: "No Brasil, para que a pintura se torne, efetivamente, importante opção de investimento, deve-se começar pela dinamização do mercado de arte [...], ampliando-se as possibilidades de concretização de efetivo mecenato empresarial via incentivos fiscais."

Galeno - Obras variadas


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Arte MonoMídia e encontros SocioArtísticos: maquetes de cidades criativas

A estética do encontro entre pessoas que são obrigadas a conviverem  numa cidade é um exercício de paz e também um exercício de felicidade. Um convivío que ousamos chamar de convivío "Político", com P maiúsculo (coisa que a humanidade ainda está construindo, aprendendo...). E conviver harmoniosamente, quase esteticamente, é uma possibilidade idealizada e utópica.


Como os espaços culturais são espaços idealizados, em que o império estético se dá, a mediação feita pelas obras de arte ali expostas têm múltiplas possibilidades de mudar a consciência das pessoas. E também esta multiplicidade, esta multimídia, está sendo construída, com uma grande oferta de possibilidades, que são muito úteis e que sempre precisam ter sua funcionalidade analisada. Seu impacto ainda está por se harmonizar com o que consideramos humano. Eles deveriam nos ajudar a construir o Humano. Porque a arte existe para humanizar. Então simplificar, como mostra a tradição e a vanguarda orientais, é imperativo. 

Nesse horizonte, os espaços culturais são maquetes idealizadas de cidades, por abrigarem o que poderia ser o melhor da expressão humana.. MonoMidiáticos ou MultiMidiáticos.
...
Vamos avançar com essas ideias e aproximar pessoas agentes da economia da cultura no DF, no próximo Encontro BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA. 
Abaixo, a visão de um arquiteto que busca simplificar seus projetos nesse mundo complexo e múltiplo.



Serpentine Gallery Pavilion dos arquitetos Kazuyo Sejima + Ryue Nishizawa


Uma iluminada citação do premiado arquiteto Ryue Nishizawa sobre tradição e inovação:

"... A história é como uma montanha, você não pode movê-la. A cada século, as pessoas criam algo novo e, no próximo século, novamente algo novo. A junção dessas novidades cria a tradição. Se você fala em tradição, tem que pensar em que tipo de novidade que você pode criar. As pessoas têm feito assim para criar a história. Eu acho que preservar a tradição é também fazer algo novo de um modo local, do seu modo, e isso não é uma contradição." 









quinta-feira, 23 de setembro de 2010

FORMAÇÃO MUSICAL EM BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA

O desenvolvimento da cidade depende do desenvolvimento dos profissionais que atuam no setor.  Duas universidades, uma escola técnica e uma escola de choro compõem um cenário em que também a iniciativa privada é muito atuante.
Este foi o tema do II encontro BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA.







O CURSO DE VERÃO DE REPERCUSSÃO INTERNACIONAL É REALIZADO PELA ESCOLA DE MÚSICA DE BRASÍLIA




DOIS TEATROS FAZEM PARTE DA ESCOLA DE MÚSICA DE BRASÍLIA

CURSOS LIVRES AMPLIAM O ACESSO À FORMAÇÃO MUSICAL




LANÇADA NOVA UNIVERSIDADE DISTRITAL COM CURSO SUPERIOR DE MÚSICA
ESCOLA DE CHORO RAFAEL RABELLO



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CAPITAL DE MÚSICA SOFISTICADA - ORQUESTRANDO MAIORES ARRANJOS

O segundo encontro BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA discutiu o potencial musical da capital que é patrimônio cultural da humanidade, mostrando dados sobre a atuação da Escola de Música de Brasília e da UnB.



ESPELHANDO OPINIÕES E LEMBRANDO "CARTEMAS" FOTOGRÁFICOS EXPOSTOS POR MÁRCIO VIANNA SOBRE MACHU PICCHU



ENQUANTO DEMONSTRAVA DADOS SOBRE A FORMAÇÃO DE MÚSICOS EM BRASÍLIA

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

IMATERIAL, I-MATERIAL, MATERIAL - eventos e seus patrimônios

Numa referência distante do conceito de patrimônio imaterial da humanidade, o título deste post foca três dimensões culturais importantes: 
  • o que o homem produz de intangível - imaterial;
  • a base material necessária para essa produção - produtos em si;
  • e a mediação da tecnologia nas relações humanas -  i-material.
FESTIVAL DE TEATRO CENA CONTEMPORÂNEA ESTEVE POR AQUI, PARA ALÉM DO ESPAÇO



Alguns teóricos conseguem provar que estamos na Era da Experiência, em que eventos oferecem alternativas à Era Digital - uma era do isolamento humano mediado por algumas tecnologias de ponta. Nessa perspectiva, os eventos são uma força importantíssima para promoção da cultural e para tornar tangíveis e concretas a convivência entre as pessoas.


Relacionar tudo isso ao conceito de cidade criativa é o objetivo aqui, já que a cultura precisa de espaço para existir e da iniciativa dos gestores/produtores com seus eventos que permitam a expressão das pessoas.


Brasília, com sua peculiar característica de ter sido planejada estrategicamente para abrigar grandes cabeças pensantes, a mil metros de altitude, congregou diversas culturas, sem reproduzir as condições para que certas festas, rituais, encontros, etc ocorressem. Os pensadores, legisladores e executores das políticas públicas também têm raízes culturais que não precisam ser mediadas pelas constantes viagens que sempre caracterizaram os moradores da nossa capital. Digo isso porque a saudade da "terra natal" sempre levou os candangos para os aeroportos e rodoviária.


Com alguns eventos, desbravando espaços culturais e praças públicas, a estrutura física e social de Brasília cinquentenária permite uma nova cultura. Alguns espaços não podem ser modificados, seja pelo tombamento, seja pela relação entre custos e benefícios - que podem não ser compensadores. Ainda mais porque temos diversos espaços que podem ser aproveitados como espaços culturais, embora não tenhamos demanda suficiente para torná-los plenamente vivos de cultura.


Então vejamos os eventos que deram mais vida à cultura brasiliente, nesse início de setembro. Quatro grandes eventos ocorridos mostram o potencial que têm, a partir do modo como ocupam espaços, para produzir arte e integrar pessoas:


1. O Festival Internacional de Teatro (Cena Contemporânea);
2. A I Virada Cultural;
3. A 3a. Mostra Zezito de Circo; e 
 4. O desfile de 7 de setembro (com seus shows de encerramento e as referências às festas como o congado, o carnaval, maracatus e tantos que geram a saudade dos migrantes que materializam Brasília.
DESFILE DO PODERIO BÉLICO RELEMBRA EVENTOS DA CULTURA QUE GESTOU OS QUE MORAM EM BRASÍLIA





Desses eventos tão diferentes entre si, o que têm em comum é o uso da praça pública - a Esplanada - como continente da expressão máxima dos seres humanos que têm Brasília como sua morada e lar, e não apenas um local de trabalho.


Sabemos que indígenas de diversas tribos expõem, em rituais artísticos com danças e diversas expressões, a força que têm para ocasiões de guerra e paz. Assim tem sido o desfile de 7 de setembro, e não será o foco da discussão aqui.


Mas de modo diverso, os outros três eventos desbravam possibilidades.
FESTIVAL DE CIRCO ARMA-SE NO ENCONTRO DOS EIXOS - VIVO COMO SEMPRE


A beleza grandiosa do circo armado exatamente na praça das fontes que une o Conic ao tombado Touring Club foi surreal e perfeita, dando um sentido novo e encantador àquela região: cores e vida em espaços que dormem e se abandonam à noite. De uma forma muito criativa, os realizadores fizeram uma ponte entre o Teatro Dulcina e o picadeiro montado no que parece ser o exato ponto central do País, onde aqueles eixos são cruzados. O Circo dá outro sentido ao circo.


Já a Virada e o Cena permitem chamar atenção a outros pontos.
A I Virada Cultural, por ser a primeira, não pode ser comparada com o Cena Contemporânea - um evento jovem de 11 edições, que já está estruturado como organização gestora eficiente. Mas o ponto central em que quero chegar diz respeito ao uso da Esplanada para os shows da Virada e do Cena.
A inadequação do encontro dos dois eventos em algumas noites - vazando som de um para o outro - foi compensada pela riqueza de opções para o público espectador. Ainda mais pelo fato de terem focos estéticos distintos na oferta de shows. 


A região da Esplanada perto do cruzamento dos Eixos tem o acesso facilitado pela proximidade da rodoviária e da estação do metrô. E tem a acústica, a noite, a poeira e a ventania como os desafios para edições futuras.
O "cantinho" entre a rampa de entrada do Museu da República e o restaurante abrigou palcos para shows e teatro experimental  do Cena Contemporânea. Foi um espaço que pedia aconchego acústico e iluminação. Mesmo assim conseguiu oferecer um festival de uma grandeza ímpar, com atrações escolhidas por uma curadoria absolutamente impecável, visionária e madura. Inclusive com o show de Antônio Nóbrega trazendo canções de mestiçagem e com referências ao descobrimento do Brasil e sua renovação.

EVENTO REENCENADO NA ESPLANADA BRASILIENSE


Como conciliar a necessidade de materializar os eventos, capitalizá-los e atender às necessidades materiais das pessoas para quem eles foram realizados? É uma construção que o presente já tem capacidade de resolver.

 Um evento deve ser como a água: adaptar-se ao que dispõe como margem. A cidade é um desafio que o evento deve enfrentar e reinventar. Seu espaço sonoro, seu espaço olfativo, seu espaço visual, seu espaço higiênico, seu espaço ambiental e seu útero -  que fecundará o futuro - devem ser alvos estéticos.

Criar espaços íntimos para eventos é o que tem feito os espaços culturais “formais”. Mas fazer cultura dos (e nos) espaços informais das ruas/não-ruas, das avenidas e praças  ou em casos especiais/espaciais as esplanadas é a questão resolvida pelos eventos culturais.

E se alguém quiser responder para além dos eventos que se propõem a ser artísticos, faço eco para questões fundamentais:
Deixemos que todos durmam para que a verdadeira arte floresça?
Ou deixemos todos acordados para que verdadeira arte não adormeça?





quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Encontrar Brasília na esquina

O primeiro encontro BRASÍLIA, CIDADE CRIATIVA foi bem-vindo, gestando um polo de produtores de cultura e de expectadores da cultura que nos envolve. Olhamos outras cidades, com lunetas, telescópios, microscópios, coração e imaginação. E focamos Brasília, com estas mesmas ferramentas, incluindo sempre um pouco mais de paixão, amor e esperança.

Márcio Vianna, arquiteto, servidor do IPHAN e docente, apontou a desconstrução e reconstrução do patrimônio mundial a partir do conceito de PATRIMÔNIO IMATERIAL. Mostrou-nos algumas tradições brasileiras que se perpetuam graças ao papel visonário desse conceito sobre patrimônio.

Andrey do Amaral, trazendo um poema de Carlos Drummond de Andrade, "Cidadezinha qualquer", tocou no silêncio musical que enobrece BIBLIOTECAS. Tocou no tempo, que sempre se reapresenta, e  nos levou a lugares em que cada um de nós lembra e esquece como sendo uma cidade. Mapeou a Brasília literária. Mostrou-nos alguns ideais de espaços culturais que são ainda são tidos como bibliotecas, apontando horizontes que gostamos de olhar nesse planalto.

E, para começar, o conceito de "cidade criativa" se mostrou mais vivo do que nunca. Um poeta pode até se perguntar por que o conceito se escondeu nos diversos espaços culturais de Brasília... pode até dizer que lá estavam câmeras gravando tudo para nos mostrar apenas quando estivéssemos preparados... pode até se inspirar em rimar inovação com harmonização... Mas a poesia maior é o processo de pessoas se tornarem  arte, da arte se tornar cidade e a cidade se tornar lar.

E, para recomeçar, continuando de onde não pararíamos, no dia 16 de setembro, estaremos novamente encontrando visões futuras e momentos presentes únicos, no segundo debate.